Afinal qual a essência das Cidades Criativas?

Data de publicação >> 22/08/2017

Por Fernando Viana

Como esse é o tema mais falado no momento e a febre das cidades se intitulando como criativas se espalhou vamos considerar mais algumas questões. Entendo que quando falamos que uma cidade é criativa, não significa apenas que ela realiza uma grande festa anual, seja carnaval e outros similares.

Na realidade já tive a honra de conhecer uma cidade verdadeiramente criativa, a Vila de Óbidos em Portugal. Lá a criatividade flui pela cidade, se encontra nas esquinas, vive nos casarões, passeia pelas livrarias, se instalou nas escolas municipais, melhora e estimula a qualidade de vida dos seus habitantes e até deu origem a um Parque Tecnológico. Portanto, esse é essencialmente o legado de uma cidade criativa.

Logo, existe uma essência invisível que é representada pela habilidade do gestor municipal instigar os seus munícipes para construir um sonho coletivo; envolver e mobilizar os esforços dos cidadãos para transformar esse sonho em realidade e, principalmente, a certeza de que isso pode acontecer em qualquer cidade seja grande, média ou pequena.

Todo esse esforço coletivo tem como resultado final a desejada qualidade de vida, que vem colada à: 1 -Sustentabilidade: esforços e condições para as pessoas viverem perto dos seus ambientes de trabalho; portanto, quando o trabalho está mais perto de casa as pessoas podem aproveitar melhor a sua vida. Com isso gastam menos em transporte, em gasolina e reduz-se o uso do automóvel. Por outro lado, o lixo é rigorosamente selecionado e coletado e os equipamentos urbanos possuem múltiplas finalidades, por exemplo: os estádios de futebol possuem outras funções; as escolas públicas podem se transformar em locais para disseminar cultura e arte à noite e etc. 2 – Mobilidade: tirar o máximo proveito de cada meio de transporte, interconectar ciclovias, ônibus, metrô e lanchas nas cidades onde existem rios. Existem dezenas de exemplos mundo afora e um dos exemplos clássicos é a cidade do Copenhague.  Estimular e incentivar os cidadãos a fazerem caminhadas nos parques, ruas e avenidas. 3 – Solidariedade: estimular a convivência entre pessoas de idades diferentes, crenças, rendas e tipologias; lembrando que quanto maior for a diversidade social mais criativa será a cidade e, o mais importante de tudo fortalecer a autoestima do cidadão e o sentimento de pertencer. Isso irá fazer com que ele, dentre outras coisas, proteja e zele pelos equipamentos públicos e não os deprede.

Fonte:

Reis, Ana Carla Fonseca; Irani, André

Cidades Criativa, 2011 p30-37

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