Criatividade, Inovação e Negócios: verdades e mentiras.

Data de publicação >> 31/08/2014

Nessa jornada de preparação para o XIII FICI (Portal do Fórum Internacional de Criatividade e Inovação) tenho recebido muitas perguntas e três são as mais frequentes:


1º - O que é criatividade?

O processo de criar é uma habilidade fantástica da mente humana que traduz as percepções e os entendimentos escondidos no fundo do nosso inconsciente e os leva para as artes, para as ciências, a medicina, a engenharia, em suma para as escolas, universidades, empresas e comunidades e, principalmente, para as pessoas e o dia a dia de todos nós.

Portanto, todo mundo pode, deve ser criativo para explorar a sua criatividade tanto ao seu favor como para o bem da sociedade. O problema é que todo esse potencial criativo com o qual nascemos é “afogado” pelo adestramento a que todos nós somos submetidos quando estamos sendo educados: nas escolas, nas universidades e, até mesmo, nas empresas.

Quando o nosso processo criativo está acontecendo precisamos utilizar os dois hemisférios cerebrais; o hemisfério direito pela sua capacidade de expansão, de imaginar, de visualizar, de fazer conexões e perceber outras possibilidades; e o hemisfério esquerdo pela sua capacidade de julgar, avaliar e escolher. No entanto, por conta de um processo educacional ainda desconectado a maioria de nós perdeu a habilidade de utilizar as potencialidades do hemisfério direito e só usamos com extrema velocidade o hemisfério esquerdo. Assim rapidamente, julgamos, avaliamos e escolhemos gostar ou não gostar de alguma coisa nova ou diferente e assassinamos nas nossas empresas ainda na geração a maioria das possíveis grandes ideias; pois fomos acostumados a trabalhar com o “naps” – normal, aceitável, possível e seguro.

Por esse motivo, embora ouçamos repetidamente que o povo brasileiro é muito criativo e pode até ser verdade, mas a maioria da criatividade brasileira não possui acabativa, só em raríssimos casos isso acontece. Um rápido exemplo bem simples: o desfile de carnaval das escolas de samba do Rio e São Paulo: belas fantasias com adereços caindo pela avenida, assessórios tortos, belíssimos carros alegóricos que quebram no meio de desfile ou não entram nos espaços. A bela ideia foi criada, mas a acabativa prática não foi sequer imaginada.

 

2º - O que é Inovação?

Inovação é o final do processo criativo, quando dentre as muitas ideias geradas no processo, uma possui um valor agregado diferencial que se destaca de todas as demais e se torna uma ideia inovadora.

Mas, como disse inovação é a parte final do processo criativo, e no Brasil temos a tendência que querer inovar sem passar pelo processo da criatividade. Como resultado, com raríssimas exceções a inovação brasileira se destaca. E tanto é verdade que o Global Innovation Report, uma importante e reveladora pesquisa anual feita pela INSEAD e outras instituições mundiais sobre o estado da arte da inovação em 114 países do mundo, dentre eles o Brasil, nos coloca em 61º lugar no ranking mundial.

Os motivos já são bastante conhecidos e os possantes indicadores da pesquisa apontam muito bem para as nossas dificuldades. No que se refere à educação: o nosso sistema educacional é precário, a absorção do conhecimento é muito baixa, o capital humano e a pesquisa são fracos; no que se refere aos negócios: os empregados são despreparados, a competitividade é baixa e o acabamento dos produtos é ruim e, no que se refere aos bens e produtos criativos: a qualidade é baixa e também de pouca acabativa.

 

3º - Qual a importância da criatividade para pessoas e negócios?

Portanto, a maior fragilidade da famosa criatividade brasileira está justamente no fato de darmos pouca atenção à importância da criatividade e da consequente possibilidade de inovação no processo que irá dar origem aos produtos, serviços e negócios inovadores.

Vamos considerar, por exemplo, as cidades cujas pesquisas formais apontam que as possibilidades de se expandir as áreas de serviços são muito mais promissoras por conta dos espaços disponíveis.

Todavia, vale considerar que área de serviços requer fundamentalmente a ação da criatividade e da inovação porque os produtos e serviços lançados são rapidamente copiados e o que era novidade um dia dentro de seis meses já possui muitas cópias similares no mercado. Assim sendo, as equipes dessas empresas ou instituições precisam resgatar e desenvolver o pensamento criativo internamente para que consigam rever seus produtos e serviços continuamente e gerarem novos produtos ou serviços inovadores. Portanto, é uma ação de modo contínuo e se a empresa ou instituição não estiver preparada para trabalhar com a criatividade o seu produto ou serviço vai ficando obsoleto e, por sua vez os clientes irão procurar outros mais atraentes. Essa é a lei de mercado, quem não consegue inovar continuamente será - mais rápido do que imagina - substituído no mercado. Temos um agravante ainda a acrescentar, a maioria dos empresários entende que investimento em desenvolvimento de pessoas é despesa, portanto, não quer desenvolver suas equipes, dai a produtividade da equipe é baixa, os custos são altos e por esse motivo não possui a competividade necessária para sobreviver no mercado.

Por esse motivo, criatividade e inovação não são importantes apenas para os artistas e para as áreas de marketing das empresas como uma maioria de pessoas acredita e, como já foi dito acima – atualmente - é fundamental para a educação e para qualquer ramo de negócios, profissão, comunidades e cidades e, principalmente, para as pessoas como uma competência estratégica diferencial.

Finalmente, vale considerar que se desejamos ter produtos, serviços e negócios inovadores é preciso entender que o processo criativo começa com a criatividade e termina com a inovação que significa valor agregado à ideia criativa. Por este motivo poderemos ter muita criatividade e não termos inovação (valor agregado); mas não teremos inovação sem termos criatividade.

 

Fernando Viana
Fundação Brasil Criativo
www.fbcriativo.org.br
 

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